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Grandes dançarinos


Bernabe Simarra

Segundo o Instituto de Musicologia Carlos Vega, o nome verdadeiro seria Bernabé Simara, mas os apelidos: “O Negro” (El Negro) e "O Rei do Tango” (el Rey del Tango).

Desse dançarino esquecido é difícil encontrar dados confiáveis. Sua carreira inicia quando vence o concurso de bailes de carnaval de Buenos Aires, em 1909. Imediatamente obtém outras vitórias em concursos organizados pelos teatros "Casino" e "Politeama". Seu nome ganha fama também em montevidéu onde vence o torneio do “Royal Theatre”.

Sua fama em florescimento motiva a senhorita Papillón, renomada artista francesa de variedades que havia aprendido a dançar tango com Simarra, a contratá-lo, em 1911, para acompanhá-la em Paris.

Sua extraordinária qualidade coreográfica e sua pitoresca indumentária de gaúcho lhe renderam a alcunha: O Rei do Tango.

Revalidou seus títulos de vencedor em competições de dança ganhando os concursos para profissionais dos teatros “Femina”, em 1912 e “Folie Magic”, em 1913. Sua companheira naquela época era a cubana “Ideal Gloria”, a bailarina de tango de maior reputação internacional. Foi então que se mudou de Paris para Lido, um balneário em Veneza, Itália. Ali é contratado como professor do aristocrático hotel “Excelsior”.

Nos começos da década de 1920 viaja a Barcelona onde instala uma academia de danças, orientada a ensinar tango à classe alta catalã. Especialista em vencer concursos, vence, nessa cidade, o concurso para dançarinos organizado pelo teatro “Principal Palace”.

No ano de 1936 começa a guerra civil espanhola e Simarra teve que abandonar precipitadamente a Espanha, deixando todos seus bens. Viaja a Montevidéu, onde se radica e falece na mais crua miséria.

Bernabe Simara


El Cachafaz

Ovidio José Bianquet, "El Cachafaz", o mais famoso bailarino de todos os tempos, transformado em lenda, nasceu em 14 de fevereiro de 1885 e morreu em 7 de fevereiro de 1942. A lenda de Cachafaz é parte da mitologia do tango. Uma das poucas imagens dele é parte do filme "Tango", de 1933, onde ele pode ser visto com sua parceira Carmencita Calderón, na época com apenas 20 anos de idade. O tango que mostra nesse filme não é dos mais típicos, dizem os especialistas, provavelmente para atender a exigências dos produtores sobre como melhor impressionar o público.

"Cachafaz" é um termo lunfardo que e significa: malandro, sem-vergonha, insolente. Conta-se que este apelido já vinha da juventude.

De acordo com suas parceiras, suas qualidades como dançarino foram: elegância, ritmo e criatividade para elaborara novos passos. "Don Benito", outro apelido mais ameno, tinha um tango impecável, com boa postura corporal e delicadeza, o que amenizava a aparência indecente com que o tango era visto em sua época. Disse sua parceira Carmencita Calderón, em entrevista, 55 anos depois da morte do "El Cachafaz", que ás vezes o tango poderia ser um pouco nojento, pois existem figuras onde a mulher mete a perna entre as pernas do homem. É no sentido de amenizar esses tipos de figuras que ela o considerava um dançarino cortês.

Mas declarou ela também que ele não era bom moço além de ser "feio como a noite escura", mas tinha modos suaves e era simpático. A não ser que estivesse de mau humor. Nesse caso..."de un cachetazo los dejaba dormidos".

Fig1 el cachafaz
El Cachafaz


Vasco Ain

Casimiro Ain, "El Vasco Ain", o bailarino que teria dançado perante um Papa católico, e conseguiu a absolvição do tango. Recebeu seu apelido por ser filho de un "vasco lechero", do então bairro "La Piedad", onde aprendeu a dançar desde muito pequeno ao som dos “organitos callejeros”. Foi bailarino de circo. Em 1901 foi para a Europa, quando este continente ainda não conhecia o tango, trabalhando em qualquer coisa menos como bailarino. Retorna em 1904 e faz apresentações, acompanhado de sua esposa. Em 1910 alcança grande sucesso tornando-se definitivamente um dançarino profissional. Então viaja em 1913 para a França,agora como profissional do tango. Depois de passar três anos em Nova York, retorna a Buenos Aires em 1916.

Na década de 1920 vai novamente a Paris onde ganha, com sua parceira Jazmíno, o Campeonato Mundial de Danças Modernas, concorrendo com 150 casais.

Mais tarde, com a alemã Edith Peggy, percorreu toda a Europa e em 1930 retorna definitivamente a Argentina para atuar mais uns poucos anos.


Existe uma história controvertida de que em 1924, Aín dançou para o Papa Pio XI, ao som do tango Ave Maria, de Francisco Y Juan Canaro. Teve como parceira uma bibliotecária da embaixada. Com música e passos o mais suaves possíveis conseguiu impedir a proibição do tango pela igreja. Existem para essa história versões, datas e até Papas diferentes. O próprio Aín declarou ter dançado para o Papa em uma entrevista, mas, segundo outras fontes, foram buscadas documentações sobre o evento no próprio Vaticano e nada foi encontrado.

 


Casimiro Ain e Edith Peggy.


Copes

Nascido em 31 de maio de 1931, Juan Carlos Copes, conhecido em vários países do mundo, e detentor de prêmios em festivais, com sua parceira, María Nieves.

Juan Carlos Copes considerava como seus mestres e modelos a seguir: Fred Astaire e Gene Kelly, a quem poderia realmente se igualar, segundo alguns críticos.

Um dançarino que conheceu de perto, mestres como Piazzolla, Troilo ou Pugliese, de apresentações internacionais na Broadway e merecedor de prêmios como os de Toronto e Nova York, e, recentemente, o "American Choreography Award" pela melhor coreografía para cinema pelo filme "Tango" (dirigida por Carlos Saura).

Copes não desconhece que na Argentina é conhecido como "el bailarín” de tango, mas discorda: “É muito antigo e conservador dizer que sou "el" dançarino de tango. Para dançar o tango são necessárias duas pessoas e muita paixão."

"Muito acreditam que o mais importante são as pernas e os pés. Não vejo assim. Para mim, o essencial começa acima, na cabeça, e depois passa pelo coração. Os pés são conseqüencia." Ensina Copes. E afirma também que dançar é a melhor terapia que existe.

 


Juan Carlos Copes

Maria Nieves, o ator Ángel Magaña e Copes



Outros

Antonio Tondaro, para alguns o maior criador de figuras dos últimos anos, apresentou-se em vários países da Europa.

Jorge Orcaizaguirre, com sua parceira Elvira, reconhecido em várias partes do mundo.

Miguel Angel Zotto e Milena Plebs, um casal de técnica apurada de alto nível, considerada na década de 1980 a melhor da época.

E mais Gustavo Naveyra e Olga, Mayoral e Elsa María, Pepito Avellaneda, Jorge Firpo e Aurora, Carlos Quiroga e Gabriela Cabrera, Antonio Todaro, Alejandro Aquino e María Chiara, entre outros.

 

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